Pular para o conteúdo principal

Guns N' Roses: Show Histórico no Monsters of Rock

     TEXTO: MARIANA WEFFORT


Crédito: Guns N’ Roses


     O Monsters of Rock 2026 mal terminou e o assunto nas redes é um só: o fôlego interminável do Guns N' Roses. No último sábado, 4 de abril, o Allianz Parque não foi apenas um estádio, mas uma cápsula do tempo que provou que, mesmo em 2026, Axl, Slash e Duff ainda detêm a coroa do hard rock mundial.

Aqui está um resumo do que rolou nessa noite histórica:


O Início: Um Soco no Estômago

    Diferente de anos anteriores, onde o atraso era a marca registrada, a banda subiu ao palco com uma pontualidade britânica e uma energia visceral. Abrir com "Welcome to the Jungle" é um clássico, mas emendar com "Slither" (do Velvet Revolver) mostrou que a coesão entre o trio original está mais afiada do que nunca. A voz de Axl Rose, ponto de debate constante na última década, apresentou uma estabilidade surpreendente, especialmente nos tons médios e baixos de "Mr. Brownstone", bem diferente do que vimos nas apresentações anteriores do vocalista.

Relíquias e Estreias: O Presente para os Fãs

    O grande diferencial deste show foi a coragem no setlist. Enquanto muitas bandas de estádio se prendem ao "feijão com arroz", o Guns resolveu cavar fundo:

"Rocket Queen": A estreia na turnê trouxe aquele groove sujo que o público brasileiro ama.

"Bad Apples": O momento "cair o queixo" da noite. A música não era tocada ao vivo desde 1991. 

"Junior's Eyes": O cover de Black Sabbath foi uma homenagem emocionante e inesperada.


Energia que Desafia a Idade   

 
O que se viu no Allianz Parque foi uma entrega física que desafia a idade. Axl Rose não parou um segundo. Entre as trocas de figurino e as corridas de um lado ao outro do palco em "You Could Be Mine", a energia era contagiante. Ver a banda sustentar essa intensidade até a 24ª música faz você entender por que eles ainda são os "headliners" definitivos.


O Espetáculo de Slash e Duff

    Slash continua sendo uma força da natureza. Seu solo antes de "Sweet Child o' Mine" não é apenas uma exibição técnica, mas uma narrativa emocional que prepara o terreno para o hino máximo da banda. Já Duff McKagan, assumindo os vocais em "New Rose", trouxe a urgência do punk que sempre foi o DNA silencioso do grupo.




Crédito: Guns N’ Roses


O Gran Finale

    A sequência final foi uma maratona de clássicos. "November Rain" sob as luzes de milhares de celulares ainda é de arrepiar. O encerramento com "Paradise City", regado a papel picado e o som ensurdecedor da bateria de Frank Ferrer, deixou claro que o Guns N' Roses não está apenas sobrevivendo de nostalgia — eles estão dominando-a.

    Para completar essa resenha, precisamos falar sobre o que os vídeos e palavras não conseguem transmitir: o impacto físico de um show dessa magnitude. Assistir ao Guns N' Roses entregando um setlist de 24 músicas em 2026 ultrapassa o conceito de "show de rock"; é uma prova de resistência tanto para a banda quanto para o público. Acima de tudo: um lembrete de que a energia do palco é o combustível que mantém essas lendas vivas.
Posso afirmar com certeza que o festival acertou em cheio em trazer o Guns para fechar a noite e deixá-la ainda mais memorável. 


Setlist

1. 
Welcome to the Jungle

2. Slither (Velvet Revolver cover)

3. It's So Easy

4. Live and Let Die (Wings cover)

5. Mr. Brownstone

6. Bad Obsession

7. Rocket Queen (tour debut)

8. Perhaps

9. Dead Horse

10. Double Talkin' Jive

11. Nothin'

12. You Could Be Mine

13. Civil War (Jimi Hendrix's "Voodoo Child (Slight Return)" outro)

14. Junior's Eyes (Black Sabbath cover) (tour debut)

15. Knockin' on Heaven's Door (Bob Dylan cover) (with Alice Cooper's "Only Women Bleed" intro)

16. New Rose (The Damned cover) (Duff on vocals)

17. Atlas (followed by band introductions)

18. Slash Guitar Solo

19. Sweet Child o' Mine

20. Estranged

21. Bad Apples (first time since 1991)

22. November Rain

23. Nightrain

24. Paradise City

 

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Damiano David faz show com ingressos esgotados no Tokio Marine Hall

O cantor e compositor italiano realiza apresentação única da turnê FUNNY little FEARS no dia 7 de novembro, na capital paulista, em uma realização da 30e Damiano David, cantor e compositor italiano conhecido internacionalmente como frontman da banda Måneskin, traz ao Brasil sua primeira turnê solo, FUNNY little FEARS, homônima do último álbum. O show marcado para o dia 7 de novembro, no Tokio Marine Hall, em São Paulo, está esgotado. Em território nacional, a performance ocorre apenas na capital paulista e é uma realização da 30e, maior companhia brasileira de entretenimento ao vivo. Os portões do Tokio Marine Hall serão abertos ao público a partir das 19h e a apresentação tem previsão de início às 21h. Jovens maiores de 16 anos poderão entrar desacompanhados; já crianças e adolescentes de 5 a 15 anos devem estar acompanhados de pais ou responsáveis legais. FUNNY little FEARS (2025), álbum homônimo à sua primeira turnê individual, marca uma fase mais madura do cantor e o apresenta como...

Uriah Heep em São Paulo: confira provável setlist 

Banda se apresenta nesta sexta-feira, 11 de abril, no Tokio Marine Hall. A lendária banda britânica Uriah Heep está prestes a iniciar sua última grande turnê pela América Latina. Com uma carreira de 55 anos, o grupo consolidou-se como um dos pilares do hard rock mundial, influenciando gerações com hinos como "Easy Livin'", "July Morning" e "Lady in Black". A turnê, intitulada The Magician's Farewell, é uma realização da Top Link Music e promete ser uma celebração histórica para os fãs da banda na América do Sul. Atualmente, a formação inclui o guitarrista original Mick Box, o vocalista Bernie Shaw e o tecladista Phil Lanzon – juntos há quase quatro décadas – além de Davey Rimmer (baixo) e Russell Gilbrook (bateria). O mais recente álbum da banda é Chaos & Colour, lançado em 2023. O vocalista Bernie Shaw expressou emoção ao comentar esta fase: "A banda tem 55 anos e está muito forte, e eu não tinha ideia de que já se passaram 39 anos da min...

Megadeth inclui São Paulo na turnê de despedida

Os fãs brasileiros do Megadeth têm um último encontro marcado com a história do heavy metal. A banda liderada por Dave Mustaine anunciou uma única apresentação no Brasil no dia 2 de maio de 2026 (sábado), no Espaço Unimed, em São Paulo. Com produção da Mercury Concerts, a venda de ingressos para o público geral começa no dia 5 de novembro (quarta-feira), às 10h, pelo site Eventim. E no dia 3 de novembro (segunda-feira), no mesmo horário, será aberta a pré-venda exclusiva para os membros do fã-clube da banda, também pelo site Eventim.   Esta será a última chance dos fãs brasileiros testemunharem ao vivo a potência, a técnica e a fúria que consagraram o Megadeth como uma das maiores bandas de metal de todos os tempos. Formado em 1983, o Megadeth é considerado um dos Big Four do thrash metal, ao lado de Metallica, Slayer e Anthrax. Com mais de 50 milhões de álbuns vendidos e um Grammy conquistado, a banda deixa sua marca na h...