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Extreme no Monsters of Rock: Vigor e Identidade

    



Crédito: Ricardo Matsukawa

    Assistir ao Extreme no palco do Monsters of Rock Brasil foi mais do que cobrir um show: foi testemunhar uma banda que desafia as leis do tempo. Eles envelheceram com uma dignidade rara no rock, mantendo um vigor e uma entrega que muitos grupos com metade da idade não conseguem manter.

O Peso do Groove e a Conexão Imediata

    A abertura com “It (’s a Monster)” serviu como um cartão de visitas sonoro: o som veio denso, a banda estava afiada e o público foi fisgado pelo estômago. Logo em seguida, “Decadence Dance” trouxe aquele funk metal clássico que nos lembrou por que o Extreme sempre foi o "estranho no ninho" do hard rock — ousados, suingados e tecnicamente superiores.

    Um dos momentos mais vibrantes da noite aconteceu na transição para “Play With Me”. Quando Nuno Bettencourt puxou a icônica batida de “We Will Rock You”, do Queen, a união com a plateia foi instantânea. Do gramado, a sensação era de uma massa única batendo palmas em sincronia antes de sermos atropelados pelo riff frenético da canção.

Virtuosismo com Alma

    O show foi um exercício de contrastes. Enquanto Gary Cherone se provava um frontman incansável — performático, intenso e vocalmente impecável —, Nuno Bettencourt reafirmava seu posto como um dos guitarristas mais completos da atualidade.

    As instrumentais “Flight of the Wounded Bumblebee” e “Midnight Express” poderiam ser apenas momentos de "exibicionismo", mas no contexto do show, soaram como celebrações da técnica. O silêncio atento da plateia, seguido por aplausos efusivos, mostrou que o público do Monsters respeita quem realmente sabe o que está fazendo com seis cordas na mão.



Crédito: Ricardo Matsukawa


O Respiro Coletivo

    É impossível falar de Extreme sem citar o momento em que o festival pareceu desacelerar. “Hole Hearted” preparou o terreno, mas foi em “More Than Words” que a emoção transbordou.

    Não soou como aquela balada obrigatória que bandas tocam por protocolo. Foi um respiro coletivo. Ouvir milhares de vozes abafando os instrumentos em um coro perfeito transformou o Allianz Parque em um espaço de afeto e memória compartilhada.

Encerramento

    O encerramento não poderia ter sido mais emblemático. “Get the Funk Out” trouxe a energia de volta ao topo, fazendo o chão tremer com seu groove explosivo. Mas foi “Rise”, o hit mais recente, que selou a noite como um manifesto. Ao fechar com uma música nova e potente, o Extreme deixou um recado claro: eles continuam relevantes, criativos e absolutamente comprometidos com sua essência.

No fim das contas:

    O Extreme entregou tudo, nem mesmo a chuva intensa do começo da apresentação pode pará-los. É muito bom ver uma banda que respeita a própria história sem virar cover de si mesma. De um lado, o olhar crítico admirando a execução perfeita; do outro, o coração de fã pulando na grade e curtindo cada riff. Eles mostraram que o tempo só faz bem para quem mantém a essência. Saí energizada e com a certeza de que vi uma das melhores apresentações do festival.



Setlist

1.It ('s a Monster)

2. Decadence Dance

3. #REBEL

4. Play With Me (with Queen’s “We Will Rock You” intro)

5. Am I Ever Gonna Change

6. THICKER THAN BLOOD

7. Hole Hearted

8. Flight of the Wounded Bumblebee

9. Midnight Express

10. More Than Words

11. Get the Funk Out

12. RISE

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