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Black Label Society no Bangers 2026: Uma Aula Magna de Heavy Metal e Gratidão

 



Créditos: Rapha Garcia - MHermes Arts

    O show do Black Label Society no Bangers Open Air 2026 foi uma daquelas celebrações brutais que reafirmam o status de Zakk Wylde como um dos últimos verdadeiros "guitar heroes" do mundo. Sob um céu carregado que parecia emoldurar o som denso da banda, a apresentação foi um misto de agressividade sonora e momentos de profunda reverência.

O Visual: O Bárbaro do Metal
    Zakk Wylde subiu ao palco com sua presença magnética habitual, mas é impossível não destacar a evolução do seu look. Combinando a estética motoqueiro-viking com o icônico kilt, ele exala uma autoridade rústica que poucos conseguem sustentar. O destaque, claro, vai para as suas guitarras "bullseye" personalizadas e a colete de couro com os patches do BLS, que já se tornaram o uniforme oficial de um exército de fãs. Zakk parece uma força da natureza; a barba longa e os cabelos ao vento enquanto ele domina o centro do palco criam uma imagem poderosa que é, por si só, metade do espetáculo.

A Abertura e o "Groove" Inicial
Whole Lotta Sabbath (Wax Audio): Usar esse mashup como introdução é uma declaração de intenções. A fusão de Led Zeppelin com Black Sabbath prepara o ouvido do público para o que Zakk faz de melhor: unir o balanço do Blues-Rock com a tonelagem do Doom. Foi o aquecimento perfeito enquanto a fumaça tomava o palco.
Name in Blood: Esta faixa funcionou como um despertador. Com um ritmo mais acelerado e um riff que parece uma britadeira, ela serviu para mostrar que a banda estava com o som impecavelmente "na cara". O baixo de John DeServio aqui soou como um trovão, preenchendo cada espaço vazio do festival.

A Psicodelia e o Peso Cadenciado
A Love Unreal: Uma das músicas mais interessantes da fase recente. Ela traz um lado mais melódico e quase "Alice in Chains" no início, para depois descambar em um refrão grandioso. Ao vivo, as harmonias de guitarra criaram uma parede sonora densa que envolveu a plateia.
Heart of Darkness: Essa é pura herança de Tony Iommi. É lenta, arrastada e hipnótica. Zakk explorou tons mais graves e solos cheios de wah-wah, transformando o Bangers em um verdadeiro pântano sonoro. Foi o momento em que o "feeling" prevaleceu sobre a velocidade.

Emoção e a Homenagem a Ozzy Osbourne
    O ponto alto da carga emocional, no entanto, foi a conexão explícita com o "Pai do Heavy Metal". Zakk nunca escondeu sua gratidão por Ozzy Osbourne, e no Bangers Open Air 2026, isso atingiu um novo patamar.
    Além da execução magistral de "No More Tears", que fez o festival inteiro cantar em uníssono, a performance de "Ozzy’s Song" foi o momento de maior entrega. Foi possível sentir o carinho e a lealdade de Zakk em cada nota; não foi apenas um cover ou uma citação, mas um tributo vivo de um "filho" musical para seu mentor. A plateia respondeu com uma ovação que visivelmente emocionou a banda, criando um nó na garganta de quem acompanha a trajetória de ambos há décadas.

O Ritual de Homenagem
    Embora Zakk Wylde tenha escrito a música antes da morte de Dimebag Darrell, ela se tornou o hino oficial de despedida para ele e, posteriormente, para Vinnie Paul. Assistir a essa homenagem em um festival como o Bangers traz uma camada extra de significado, já que Zakk Wylde assumiu o papel de guitarrista na celebração do Pantera. Isso faz com que "In This River" não seja apenas uma lembrança de quem partiu, mas uma celebração da continuidade daquela linhagem musical da qual Zakk agora é o guardião oficial.

A Reta Final de Alta Voltagem
The Blessed Hellride: A faixa-título de um dos álbuns mais icônicos da banda trouxe um ar de "hino das estradas". É uma música que respira a cultura biker e fez com que o público levantasse os punhos. A transição da parte acústica/limpa para o peso total foi executada com uma precisão cirúrgica.
Set You Free: Uma música que traz um brilho mais Rock n' Roll clássico, com um solo que é um verdadeiro exercício de técnica. É vibrante e serviu para dar fôlego antes da sequência final de hits.
Instrumental Jam: Muitos críticos às vezes reclamam das jams longas de Zakk, mas no contexto do festival, foi um espetáculo à parte. Ele levou a guitarra para trás da cabeça, tocou com os dentes e percorreu o braço do instrumento com uma velocidade que desafia a biologia. 

O Gran Finale
    Encerrar com "Stillborn" é estratégico - precedida por uma jam instrumental onde Wylde demonstrou por que sua técnica de pinch harmonics é a mais copiada (e raramente igualada) do gênero.

    O Black Label Society não entregou apenas um show de metal; entregou uma missa de riffs pesados, lealdade e muito coração. Foi, sem dúvida, um dos momentos mais memoráveis desta edição do festival.

    O show foi um equilíbrio perfeito entre o Zakk Wylde "shredder" (técnico e veloz) e o Zakk Wylde "compositor" (emocional e sombrio).




Créditos: Rapha Garcia - MHermes Arts


Setlist
1. Whole Lotta Sabbath
2. Funeral Bell
3. Name in Blood
4. Destroy & Conquer
5. A Love Unreal
6. Heart of Darkness
7. No More Tears (Ozzy Osbourne cover)
8. In This River (Dedicated to Dimebag Darrell & Vinnie Paul)
9. The Blessed Hellride
10. Set You Free
11. Fire It Up
12. Suicide Messiah
13. Ozzy’s Song (Dedicated to Ozzy)
14. Instrumental Jam
15. Stillborn


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