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Angra Reunion: Show Histórico Encerrando o Bangers Open Air

 O show do Angra no festival Bangers Open Air não foi apenas mais uma apresentação; foi uma celebração histórica que uniu diferentes eras da maior banda de Power Metal do Brasil. O anúncio de um setlist focado em "Reunion" trouxe uma carga emocional pesada, equilibrando a técnica impecável, carisma e história.

  1. Act I: Netto, Lione, Bittencourt, Barbosa, Andreoli and Valverde



Créditos: Marcos Hermes_MHermes Arts

O Início Explosivo: A Era André Matos

    A apresentação começou com o pé no peito: Alírio Netto subiu ao palco para assumir os vocais nos clássicos do álbum Holy Land e Angels Cry.

Nothing to Say: A bateria de Bruno Valverde deu o tom. Alírio entregou os agudos com uma precisão que remeteu aos tempos áureos de André Matos, enquanto Kiko Loureiro e Rafael Bittencourt duelavam nos riffs.

Angels Cry: A faixa-título do primeiro álbum manteve a energia lá no alto. A interação entre Alírio e o público foi imediata, mostrando que ele domina o palco com uma presença teatral que o Power Metal exige.


Créditos: Marcos Hermes_MHermes Arts

A Transição para a Era Atual

    Após a abertura nostálgica, o mago Fabio Lione assumiu o posto para mostrar por que é a voz do Angra há mais de uma década. Assim que entrou no palco os fãs o saudaram como se quisessem agradecer por tudo que ele fez na banda durante esses 13 anos.

Tide of Changes - Part I & II: Uma escolha progressiva e elegante do álbum Cycles of Pain. Aqui, a técnica de Lione brilhou. A transição da parte acústica e densa para o peso da parte II demonstrou o entrosamento absurdo entre o baixista Felipe Andreoli e o guitarrista Marcelo Barbosa.

Lisbon: Um dos momentos mais emocionantes. A voz operística de Fabio se encaixa perfeitamente na melodia melancólica de Lisbon. A interação entre Fabio e Rafael Bittencourt foi visível, com trocas de sorrisos que mostram uma banda em total harmonia interna.

Vida Seca: Com sua pegada percussiva e brasilidade latente, essa música transformou o festival em um caldeirão. A cozinha da banda (Valverde e Andreoli) mostrou por que é considerada uma das melhores do mundo, mantendo o groove complexo impecável.


O Grand Finale: Surpresas e Clássicos

O encerramento trouxe Alírio Netto de volta, com dois clássicos.

Wuthering Heights (Kate Bush cover): Um desafio para qualquer vocalista. Alírio entregou uma performance magistral, respeitando as notas altíssimas da versão original gravada por André Matos. Foi um momento de silêncio e reverência de quem estava na plateia.

Carolina IV: O ápice da noite. Não era tocada desde 2018 e foi dedicada explicitamente aos fãs. Ver Alírio e a banda executarem essa epopeia de mais de 10 minutos foi o fechamento perfeito. A interação entre todos os integrantes no palco durante o trecho rítmico central foi o retrato de uma banda que orgulha seu passado enquanto domina o presente.

  1. Act II: Falaschi, Bittencourt, Loureiro, Andreoli and Priester



Créditos: Marcos Hermes_MHermes Arts


    Essa reunião foi, sem dúvida, o momento mais aguardado do Bangers Open Air 2026. Ver a formação clássica da "Era Rebirth" (Falaschi, Bittencourt, Loureiro, Andreoli e Priester) dividindo o palco novamente foi mais que um show, foi um acerto de contas com a história do Power Metal brasileiro.


A Entrada Triunfal

    A transição do primeiro bloco para o segundo não poderia ter sido diferente: quando as notas de "In Excelsis" ecoaram pelo festival, a atmosfera mudou instantaneamente. A entrada com "Nova Era" foi um soco no estômago de nostalgia. Edu Falaschi entregou uma performance vocal segura e emocionante, visivelmente carregada pelo peso do momento, enquanto a dupla Kiko Loureiro e Rafael Bittencourt mostrou que a química de guitarras entre eles permanece intacta.


O Equilíbrio entre o Épico e o Sentimental

"Waiting Silence" e "Acid Rain": Mostraram o entrosamento absurdo da cozinha formada por Felipe Andreoli e Aquiles Priester. O "Polvo" trouxe aquela agressividade técnica característica que definiu o som da banda nos anos 2000.

"Millennium Sun" e "Heroes of Sand": Foram os momentos de maior conexão emocional com o público. É impossível ignorar o mar de vozes cantando o refrão de "Heroes of Sand", um hino que parece não envelhecer.

"Ego Painted Grey": Uma escolha excelente para mostrar o lado mais progressivo e sombrio daquela formação, com um trabalho de baixo impecável de Andreoli.


O Ápice da Energia

    A sequência final foi desenhada para exaurir o fã. "Bleeding Heart" serviu como o respiro necessário — um momento de luzes de celulares acesas e lágrimas na grade — com alguns fãs cantando e lembrando a versão do cover da banda de forró Calcinha Preta.
A tempestade sonora veio com "Spread Your Fire", com luzes, fogo e explosão de sentimentos. Aquiles Priester lembrou a todos por que é uma lenda do instrumento, mantendo uma velocidade e precisão que incendiaram o mosh pit.

O Fechamento Simbólico

    Encerrar com "Rebirth" foi o único final possível. A letra, que fala sobre cura e novos começos, ressoou de forma diferente em 2026. Ver os cinco músicos abraçados ao final da execução não foi apenas sobre celebrar um disco de 25 anos atrás, mas sobre celebrar a amizade e o legado que colocou o metal brasileiro no topo do mundo.

  1. Act III: Todos reunidos


Créditos: Marcos Hermes_MHermes Arts    

    Se o Ato II foi sobre nostalgia, o Ato III do Angra no Bangers Open Air 2026 transcendeu o conceito de "show" para se tornar uma cerimônia espiritual. Reunir Fabio Lione, Edu Falaschi e Alírio Netto no mesmo palco, sob a benção da imagem de André Matos, foi o momento mais catártico da história do metal nacional.

A Presença do Maestro

    O início do Ato III foi marcado pelo silêncio respeitoso de milhares de pessoas. Quando a imagem de André Matos surgiu no telão, acompanhada pelo som isolado de seu piano, a emoção transbordou, nessa hora não teve um marmanjo que foi visto sem lágrimas nos olhos. A execução de "Silence and Distance" foi um triunfo técnico e emocional. Ver Fabio Lione, Edu Falaschi e Alírio Netto dividindo as estrofes — respeitando o legado do Maestro, mas imprimindo suas próprias identidades — foi um lembrete de que o Angra é uma linhagem real.

    A formação mista, unindo a técnica de Bruno Valverde e a força de Aquiles Priester em momentos alternados, mostrou uma banda que finalmente fez as pazes com todas as suas eras.

A Profundidade de Late Redemption

    "Late Redemption" trouxe uma dinâmica interessante. Com Kiko Loureiro e Rafael Bittencourt dividindo as violas e guitarras, a música ganhou uma densidade absurda. A interação entre as vozes de Edu e Alírio trouxe novas nuances à canção, que originalmente contava com Milton Nascimento. Aqui, a "redenção" do título pareceu se aplicar à própria história da banda: músicos que, apesar das divergências passadas, estavam ali celebrando a obra que construíram juntos.


O Furacão "Carry On"

    Após a icônica introdução "Unfinished Allegro", o festival veio abaixo com "Carry On".

A Performance: Foi um verdadeiro "paredão" sonoro. Ver três dos maiores vocalistas do gênero cantando o refrão mais famoso do Power Metal mundial em uníssono foi de arrepiar.

A Cozinha: Valverde e Priester em kits dobrados criaram uma base rítmica que parecia um trovão, enquanto o trio de guitarras (Kiko, Rafael e Marcelo Barbosa) entregava as harmonias clássicas com uma precisão milimétrica.


O Gran Finale: Gate XIII

    O encerramento com "Gate XIII" serviu como a trilha sonora perfeita para os créditos finais dessa jornada. Enquanto a peça orquestral ecoava, a imagem dos músicos — de diferentes gerações, mas unidos pelo mesmo logo — abraçados no palco selou o evento.


    Esse show foi a prova de que o Angra é maior do que a soma de seus integrantes. Ao colocar no mesmo palco Lione, Falaschi, Netto, Loureiro, Bittencourt, Barbosa, Andreoli, Priester e Valverde, a banda não apenas homenageou André Matos, mas garantiu que a chama que ele acendeu em 1991 continua queimando com uma força sem precedentes.

    Foi, sem dúvida, o show mais importante da música pesada brasileira na década de 2020. Um momento de redenção, respeito e puro metal. Esperamos que esse clima e interação se perpetue por muitos anos, respeitando o legado que o André deixou e se abrindo para o que vem por aí. 
    
    Assim como o Rafael agradeceu aos fãs e jornalistas pelo apoio, nós também agradecemos a cada um dos integrantes por ter se permitido fazer parte desse momento histórico, mesmo com tantas intrigas e percalços no caminho. 


SETLIST

Act I: Netto, Lione, Bittencourt, Barbosa, Andreoli and Valverde

35th Anniversary Intro

1. Nothing to SaYy (Alirio Netto on vocals)

2. Angels Cry (Alirio Netto on vocals)

3. Tide of Changes - Part I (Fabio Lione on vocals)

4. Tide of Changes - Part II (Fabio Lione on vocals)

5. Lisbon (Fabio Lione on vocals)

6. Vida seca (Fabio Lione on vocals)

7. Wuthering Heights (Kate Bush cover) (Alirio Netto on vocals)

8. Carolina IV (Alírio Netto on vocals; first time since 2018 and dedicated to the fans)

Act II: Falaschi, Bittencourt, Loureiro, Andreoli and Priester

9. In Excelsis

10. Nova Era

11. Waiting Silence

12. Millennium Sun

13. Heroes of Sand

14. Ego Painted Grey

15. Bleeding Heart

16. Spread Your Fire

17. Acid Rain

18. Rebirth

Act III:

Silence and Distance (Andre Matos intro on the piano with his images shown on the screen)

18. Silence and Distance (Netto, Falaschi, Loureiro, Barbosa, Bittencourt, Andreoli and Valverde; dedicated to Andre Matos)

19. Late Redemption (Netto, Falaschi, Barbosa, Loureiro, Bittencourt, Andreoli and Priester)

Unfinished Allegro

20. Carry On (with everybody)

Gate XIII


 

 

 

 

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